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Dividendos, solvência e lucro: quem ainda duvida do IRBR?

Olá Clube Investfy! Hoje vamos revisitar a tese de IRBR3!

Quem acompanha o IRBR3 ao longo dos últimos trimestres sabe que a narrativa mudou. O que antes era um case de turnaround passou a ser, definitivamente, um case de execução operacional disciplinada.

O 4T2025 encerra esse ciclo com números que reforçam essa leitura: lucro recorrente, melhora estrutural dos indicadores técnicos, capital robusto e, não menos importante, retorno dos dividendos após cinco anos.

Mais do que um bom trimestre isolado, o IRB entrega um ano de 2025 sólido, confirmando que a estratégia de priorizar rentabilidade sobre crescimento voltou a fazer sentido.

1. Gestão: disciplina, foco e decisões difíceis

A mensagem da administração no 4T25 mantém a mesma coerência observada ao longo de 2025:

  • Subscrição disciplinada, mesmo ao custo de queda de prêmios
  • Limpeza profunda da carteira de Vida, historicamente deficitária
  • Foco em P&C rentável, pulverizado por linhas e geografias
  • Gestão ativa de capital, solvência e ALM

A decisão de cancelar contratos não rentáveis, especialmente em Vida, continua sendo o principal vetor de curto prazo da queda de prêmios, mas também o maior responsável pela virada estrutural da rentabilidade.

Esse é um ponto-chave: o IRB não voltou a lucrar “apesar” da queda de prêmios, mas por causa dela. Vejam o exemplo da carteria vida que foi reduzida pela empresa:

2. Resultados do 4T2025: menos prêmio, mais lucro:

Lucro e underwriting

No 4T2025, o IRB reportou:

  • Lucro líquido: R$ 143 milhões

    • +27% YoY (vs. R$ 113 mi no 4T24)
    • +45% QoQ (vs. R$ 99 mi no 3T25)
  • Resultado de subscrição: R$ 293 milhões

    • +65% YoY
    • Forte aceleração vs. 3T25

O lucro foi impulsionado por dois vetores claros:

  1. Subscrição muito mais eficiente
  2. Resultado financeiro forte, favorecido pelo patamar de juros

Receita e prêmios

  • Prêmio retido total: R$ 875 milhões
    • -2% YoY
    • +1% QoQ

A queda anual continua concentrada em:

  • Vida: -77% YoY
  • Rural: impactado pela crise do agro e pedidos de RJ
  • P&C cresceu ~10% YoY

Ou seja: a base de prêmios é menor, mas claramente mais saudável

3. Eficiência técnica: o coração do case

Sinistralidade e índice combinado

Um índice combinado abaixo de 95%:

  • Confirma subscrição rentável
  • Reduz dependência do resultado financeiro
  • Sustenta lucro mesmo em cenários de juros mais baixos no futuro

4. Resultado financeiro: vento a favor, mas bem aproveitado:

  •  Resultado financeiro e patrimonial (4T25): R$ 164 milhões (+51% YoY)
  •  No acumulado de 2025: R$ 723 milhões, +20% YoY

A carteira de investimentos (AUM ~R$ 8,7 bi) segue bem diversificada entre Brasil e exterior, com boa gestão de duration e risco.

5. Capital, solvência e retorno ao acionista:

Aqui está outro divisor de águas do case:

  • Índice de solvência regulatória: 268%
  • Patrimônio líquido ajustado: ~R$ 2,6 bilhões
  • Prejuízos acumulados zerados
  • Reservas de lucro constituídas

Após cinco anos, o IRB voltará a distribuir dividendos, com proposta a ser deliberada em 31/03/2026.

Além disso:

  • Programa de recompra de ações (220 mil ações em dez/25)
  • Plano de incentivo baseado em ações
  • Ratings elevados (S&P brAAA | AM Best A-)

O balanço hoje é, sem exagero, um dos mais sólidos da história recente do IRB

6. Pontos positivos e riscos:

Pontos positivos

  • Índice combinado estruturalmente abaixo de 100%
  • Lucro recorrente e crescente
  • Forte geração de caixa
  • Solvência muito acima do mínimo regulatório
  • Retorno de dividendos
  • Governança e comunicação mais maduras

Riscos e pontos de atenção

  • Crescimento de prêmios ainda limitado no curto prazo
  • Exposição ao agro segue sensível ao cenário macro
  • Despesas administrativas ainda relativamente elevadas
  • Parte do resultado financeiro depende do patamar de juros

7- Comparação com empresas similares:

Quando comparada aos pares internacionais, a IRBR3 ainda é negociada com desconto em relação ao múltiplo Preço/Valor Patrimonial. No último trimestre, o ROE atingiu 14%, enquanto o objetivo da companhia é alcançar um ROE mínimo de 20%. Considerando que esse nível de rentabilidade é superior ao custo de capital, é pouco provável que a IRBR volte a ser negociada abaixo de 1x no múltiplo P/VP.

Conclusão: a tese após o 4T2025

Se até 2023 a pergunta era “o IRB sobrevive?”, em 2025 a pergunta passou a ser outra: Qual o patamar sustentável de rentabilidade do IRB?

O 4T2025 fecha o ano deixando claro que:

  • A empresa já saiu da recuperação
  • A execução está consistente
  • O lucro é recorrente
  • O capital está protegido
  • O acionista volta a ser remunerado

O mercado ainda parece precificar o IRB com certo ceticismo — talvez como resquício de um passado recente difícil. Mas, olhando os números friamente, o case hoje se parece muito mais com uma resseguradora rentável e disciplinada do que com uma turnaround story.

Se a gestão mantiver o foco atual, o debate deixa de ser “se” haverá valor — e passa a ser quando e quanto.

Forte abraço,

Rodrigo Silveira

Contribuidor

Escrito por Rodrigo Silveira

Executivo com mais de 20 anos de experiência profissional nos segmentos de Tecnologia, Automotivo, e Alimentício em empresas como BMW, Amazon, Nestlé e Microsoft. Engenheiro Mecânico com MBA em gestão de Negócios e Value Investing. Invisto em ações desde 2016 com viés fundamentalista e buscando assimetrias de longo prazo.

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