em

NU – O jogo será global?

Olá Clube Investfy!

Chegou a hora de atualizar a tese de NU, que publicamos aqui no último trimestre. Se você ainda não leu a análise original, vale a pena começar pelo link abaixo.

NUBANK – Inovação, tecnologia e a força da juventude! – Investfy

1. Como a empresa ganha dinheiro (e por que isso escala tão bem):

O Nubank opera uma das maiores plataformas bancárias digitais do mundo. O “motor” continua o mesmo: conta/experiência simples e barata para atrair escala, e monetização crescente via crédito e serviços financeiros. 

As receitas vêm principalmente de:

  • Serviços financeiros: cartões de crédito, empréstimos pessoais e linhas com garantia/consignado. 
  • Spread e margem financeira: resultado do crescimento do portfólio de crédito e do “float” sobre depósitos.
  • Comissões e taxas: principalmente interchange, tarifas e receitas ligadas a volumes de compra e transações. 
  • Expansão geográfica: Brasil (core), México e Colômbia já relevantes para crescimento e diversificação. 

2. Alguns números do Nubank – crescimento + rentabilidade + disciplina:

O 4T2025 foi um trimestre muito forte em três dimensões: receita, lucro/ROE, e eficiência — e com melhora marginal na inadimplência. 

Leitura do placar: o Nubank cresceu forte sem “comprar” crescimento com piora de risco, e ainda entregou ROE recorde com eficiência recorde

2.1. O que explica o 4T25 tão forte?

(i) Monetização acelerando (ARPAC +45% YoY)
O ARPAC indo a US$15 mostra que a tese de “primeiro escala, depois monetiza” segue funcionando — e agora com mais produtos e mais profundidade por cliente.

(ii) Crédito crescendo com disciplina (e com IA ajudando o underwriting)
A carteira total chegou a US$ 32,7 bi (+40% YoY), com destaque para cartão e crédito não garantido, e a administração enfatiza que a expansão segue responsável, apoiada por modelos proprietários (nuFormer) e evolução de políticas de limite. 

(iii) Funding mais forte (depósitos +29% YoY) e custo de captação melhorando
Depósitos em US$ 41,9 bi, e custo de depósitos em 87% das taxas interbancárias — isso ajuda a sustentar NII e reduzir pressão de funding ao longo do tempo.

(iv) Eficiência “absurda” — mas com um aviso importante para 2026
A eficiência bateu 19,9% (novo método), porém a própria administração sinaliza que 2026 será ano de investimento e pode haver pressão de curto prazo no indicador (retorno ao escritório, IA/R&D/GPU, e base para expansão internacional).

3. Comparação com alguns pares do setor (valuation continua exigente):

No artigo original, eu destaquei que o Nubank costuma negociar com múltiplos mais altos que bancos tradicionais — e isso continua fazendo sentido como leitura estrutural: o mercado precifica um negócio que combina crescimento + eficiência + ROE elevado de forma rara no setor, embora olhando o multiplo PEG ration que considera crescimento, ainda vemos o Banco negociando a menos do que 1, o que implicita que está barato.

Mas aqui vai o contraponto: quando a empresa está “executando perfeito”, o risco não é só operacional — é de expectativa. O preço tende a exigir continuidade desse ritmo e dessa disciplina.

4. Alguns gatilhos de crescimento: 

Aqui a tese ficou ainda mais robusta, porque a companhia mostrou avanço simultâneo em Brasil + México + Colômbia, com agenda estratégica clara para 2026.

Principais gatilhos

  • Brasil (core): 113 milhões de clientes, 86% de atividade e liderança como maior instituição privada por número de clientes. 
  • México: ~14 milhões de clientes (cerca de 15% da população adulta) e processo de licença bancária em andamento — isso pode destravar uma nova fase de profundidade de produtos e crédito.
  • Colômbia: 4,2 milhões de clientes (+70% YoY) e evolução do portfólio com “unit economics” saudáveis. 
  • Ecossistema (não-banco): 12 milhões de clientes ativos únicos no ecossistema (+58% YoY), ainda cedo (penetração baixa na base), mas crescendo. 
  • IA como motor de vantagem competitiva: nuFormer já em produção no crédito no Brasil; Pix com IA com 10 milhões de usuários ativos mensais; ganhos de conversão em notificações e automação de fluxos. 
  • Potencial entrada/expansão nos EUA: pedido de charter bancário (set/2025) e aprovação condicional do OCC (jan/2026).

5. Ameaças e riscos (o que eu monitoraria com mais atenção agora)

O 4T2025 veio excelente, mas alguns riscos ficam mais “visíveis” justamente porque a empresa começa 2026 com ambição maior.

Riscos principais

  • Eficiência pode piorar no curto prazo (investimento 2026): administração sinaliza pressão de 80–100 bps na eficiência por retorno ao escritório, além de investimentos em IA e “global foundations”. 
  • Regulação no México (interchange / Sofipo): o trimestre já capturou um item extraordinário ligado ao fundo setorial (Prosofipo), que afetou a leitura de margem. 
  • Crédito e macro: apesar da estabilidade atual, crédito sempre será o principal “profit pool” e também o principal risco em cenário macro adverso; a própria empresa espera sazonalidade com alta de NPLs no 1T. 
  • Mudança regulatória em FGTS/consignado: novas regras reduziram originações de FGTS em ~50–60% (headwind), ainda que parcialmente compensado por outras linhas.
  • Concorrência: bancos incumbentes e fintechs continuam reagindo, especialmente no público de maior renda (onde Nu ainda busca ganhar “carteira principal”). 

6. Linha do tempo (próximos 12 meses) — 

2026, segundo a administração, é um ano de inflexão e investimento: a empresa quer começar a transição de líder latino-americano para plataforma global, sem perder o foco em Brasil e México.

  • 1S26: continuidade do ganho de monetização (ARPAC) e evolução do programa de aumento de limites (com impacto “full” ao longo de 2026).
  • Ao longo de 2026:
    • Pressão de curto prazo na eficiência por investimentos (RTO, IA, global foundations).
    • Expansão do nuFormer para outras frentes e geos (cartões no México, lending no Brasil).
    • Avanço da licença bancária no México (potencial “unlock” estratégico). 
    • Discussões/regulação (México) e evolução de funding/custo de depósitos.
    • EUA: construção de base (time/produto) e próximos passos após aprovação condicional.

Conclusão — Potencial e tese de investimento 

O 4T2025 reforça o Nubank como uma das histórias mais impressionantes de crescimento com lucratividade no setor financeiro global:

Isso valida o que eu chamei no texto original de “característica de negócios de alta qualidade”: o Nubank está conseguindo crescer o bolo e, ao mesmo tempo, melhorar a rentabilidade — um tipo de combinação rara. 

Visão para frente (o que muda na minha tese após o 4T25):

  • Maior confiança no “moat” operacional (custo de servir, eficiência e execução).
  • Mais mais construtivo na monetização (ARPAC) como motor de valor — a “fase 2” do Nubank está acontecendo. 
  • Passo a monitorar com ainda mais atenção 2026 como ano de investimento: pode haver ruído de curto prazo (eficiência), mas isso pode ser “o preço” de construir o próximo ciclo (México licenciado, IA em escala, internacional). 

Eu sigo com o mesmo desconforto do texto original: não gosto de comprar empresas que considero “caras” pelo multiplo P/E, mas Nubank segue entregando crescimento + retorno + eficiência em um padrão que poucos conseguem replicar.

Forte abraço!

Rodrigo Silveira

Contribuidor

Escrito por Rodrigo Silveira

Executivo com mais de 20 anos de experiência profissional nos segmentos de Tecnologia, Automotivo, e Alimentício em empresas como BMW, Amazon, Nestlé e Microsoft. Engenheiro Mecânico com MBA em gestão de Negócios e Value Investing. Invisto em ações desde 2016 com viés fundamentalista e buscando assimetrias de longo prazo.

Primeiro LoginPrimeira contribuiçãoPrimeiro ComentárioLeitorAutorComentarista

O QUE VOCÊ ACHOU?

Deixe um comentário