O que é performance relativa?
Performance relativa é a comparação do desempenho de um ativo em relação a outro.
Não é sobre subir ou cair. É sobre ir melhor ou pior do que a alternativa.
O mercado não decide se algo é bom ou ruim isoladamente.
Ele decide se algo é melhor ou pior do que o resto.
Um ativo pode:
– subir e ainda assim perder relevância
– cair menos que o mercado e ganhar espaço
– andar de lado enquanto o fluxo migra para ele
Porque o capital não busca retorno absoluto.
Busca retorno relativo ajustado ao risco.
Os principais tipos de performance relativa
1. Ativo versus índice
É a forma mais comum.
Exemplos:
– Ação vs IBOV
– Ação vs S&P 500
– ETF vs índice local
Serve para responder uma pergunta simples:
essa ação está entregando mais do que simplesmente comprar o índice?
Se a resposta for não, o fluxo tende a procurar outra alternativa.
2. Setor versus mercado
Aqui o foco é rotação setorial.
Exemplos:
– Commodities vs índice
– Bancos vs mercado
– Tecnologia vs mercado
Em todo ciclo, poucos setores lideram.
Os outros apenas acompanham ou ficam para trás.
Performance relativa mostra onde o mercado está concentrando risco.
3. Ativo versus ativo (pares)
Muito usada por gestores.
Exemplos:
– VALE vs siderúrgicas
– Bancos grandes vs bancos médios
– Ações defensivas vs cíclicas
Esse tipo de comparação elimina parte do ruído macro e ajuda a identificar liderança específica dentro de um mesmo tema.
4. Regiões e países
Clássica em alocação global.
Exemplos:
– Brasil vs EUA
– Emergentes vs desenvolvidos
– Europa vs EUA
Aqui a performance relativa reflete:
– fluxo internacional
– diferencial de juros
– percepção de risco
– momento do ciclo econômico
É uma das leituras mais importantes para entender entrada e saída de capital estrangeiro.
5. Classes de ativos
Mais macro, mais estrutural.
Exemplos:
– Ações vs juros
– Ações vs commodities
– Ouro vs bolsa
Essas relações ajudam a entender:
– apetite a risco
– ambiente inflacionário
– estágio do ciclo econômico
A vantagem de acompanhar performance relativa
A maior vantagem é simples:
ela mostra para onde o dinheiro está indo, não apenas o que está subindo.
Preço isolado engana.
Performance relativa filtra.
Ela ajuda a:
– evitar ativos que “andam” sem fluxo
– identificar lideranças reais
– entender rotações antes do consenso
– reduzir decisões emocionais
O edge que a performance relativa gera
O principal edge é antecipação.
Na maioria das vezes:
– o ratio vira antes do preço absoluto
– a liderança muda antes da manchete
– o fluxo troca antes do investidor perceber
Outro edge importante é a gestão de risco silenciosa.
Você reduz exposição trocando ativos, não saindo do mercado.
Diminui drawdown sem perder oportunidade.
No fim, performance relativa não é sobre ser mais inteligente.
É sobre jogar o mesmo jogo que o capital institucional joga.
E esse jogo é sempre relativo.
Esse é o primeiro texto de uma série que farei de Performance Relativa. Nesse primeiro texto expliquei alguns conceitos teóricos, daqui para frente falaremos mais em termos práticos.
Vocês possuem alguma dúvida ou sugestão?
Se gostaram do tema e do post, deixem um like.
Obrigado,
João Ascoli







Perfeito principalmente no ponto da gestão de risco silenciosa.
A exposição trocando ativos é um excelente exemplo do verdadeiro giro saudável. Você sai de ativos que pararam de performar para ativos que estão performando. Uma troca obvia em 2025 foi de ativos dolarizados para local, como UTIL, IFNC e varejo em menor quantidade. O longo prazo muitas vezes não é você sentar esperar, e sim manejar.
Excelente, João. Sempre uma aula!
Obrigado!