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STOP não é gerenciamento de risco.

Vou ser direto: acredito que este seja o texto mais importante que já escrevi na Investfy.

Pode soar polêmico, mas é simplesmente a realidade.
Gerenciamento de risco vai muito além de um stop.

Sim, um simples stop.

E não estou dizendo que ele não deve existir. Deve. É necessário. Mas achar que gerenciar risco se resume a colocar uma linha na tela é reduzir um conceito complexo a um botão.

O que é, de verdade, um stop?

De maneira simples:
o stop é o preço que traduz o erro da operação.
Daquela marca para frente, permanecer exposto é insistir no erro.

Só que existe um problema enorme:
a maioria das pessoas acredita que stop é A forma de gerenciar risco.

Respeito todas as visões, mas na minha opinião, e na prática do mercado, isso é completamente equivocado.
Stop é ferramenta.
Gerenciamento de risco é processo.

E processo não cabe em um botão.

Gerenciamento de risco: o que realmente é?

De forma honesta: é muito mais desconfortável do que vender simplicidade.
Mas é assim que funciona.

Gerenciar risco começa muito antes de apertar compra ou venda.
Começa em casa, na sua situação financeira, na sua capacidade real de absorver perdas, no tamanho da alocação, na alavancagem adequada (ou inadequada), nos cenários possíveis e no seu comportamento diante deles.

Existe uma verdade dura aqui:
tudo que é ganho de forma fácil e errada no mercado é devolvido, e com juros.

Funcionar por um tempo não valida uma má prática.
O mercado é mestre em dar corda antes de puxar.

Trading e Investimento são universos distintos.

Em um investimento, o stop, na minha visão, é a mudança de fundamento.
São mundos diferentes.

Mas no trading, que é o foco aqui, lidamos com preço.
E preço não é apenas o curtíssimo prazo; é contexto, dinâmica, estrutura, assimetria, volatilidade, informação e posicionamento.

Não quero entrar em setups ou técnicas.
Quero falar do risco na essência.

Você sabe que tipo de oportunidade está buscando?

Essa talvez seja a pergunta mais importante deste texto.

E aqui vai outra, ainda mais profunda:

Você trata todas as suas operações como se fossem iguais?

Se a resposta é sim…
Me desculpe pela franqueza, mas isso está completamente errado.

Não é porque o preço se move que as operações são equivalentes.
Até mesmo dentro da Análise Técnica clássica, autores categorizam operações conforme sua natureza de risco: impulso, correção, rompimento, reversão, exaustão, volatilidade, contra-tendência…
Cada uma com seus riscos específicos.

Se até eles, com décadas de estudo, diferenciam oportunidades, por que você, com muito menos experiência, trata tudo como igual?

Operações diferentes têm riscos diferentes.

E riscos diferentes exigem tamanhos diferentes.

Operações mais arriscadas exigem:

menor exposição,

um upside maior,

uma assimetria mais clara,

menos ego e mais disciplina,

e principalmente: consciência de que não basta “stopar curto” para compensar o risco alto.

Aliás, esse é outro equívoco comum:
se o upside não existe, nem stop curto transforma a tese em algo válido.

Risco não se resolve com “stop apertado”.
Risco se resolve com construção de contexto, dimensionamento, cenários, assimetria, estrutura da oportunidade, volatilidade, momento, leitura do fluxo, força do movimento e tamanho da alocação.

Stop apenas encerra o erro.
Ele não define o risco.

Esse é o primeiro texto de uma série que vai abordar a questão do risco.

Se gostarem, curtam e comentem.

João Ascoli

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Escrito por João Ascoli

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