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Ativos que podem liderar o próximo ciclo

Onze pregões consecutivos de alta e avanço superior a 11% mudam o humor do investidor, mas ainda não bastam para definir um novo bull market. Um ciclo estrutural costuma vir em ondas: começa pelas grandes empresas líquidas e resilientes, passa por companhias de qualidade que ficaram para trás, alcança small caps e, só no estágio mais especulativo, carrega negócios frágeis junto com o restante do mercado.

No Brasil, o gatilho central continua sendo a trajetória dos juros. Não basta um corte isolado da Selic: para uma alta mais ampla, a curva futura precisa confirmar uma redução sustentável do custo de capital. Nesse ambiente, bancos, elétricas, infraestrutura de mercado e construção civil tendem a responder em momentos diferentes. Nos Estados Unidos, a força vem de outra frente: inteligência artificial, chips, memória, data centers, nuvem e energia.

Bancos: recuperação, qualidade e liquidez

Bradesco combina múltiplos comprimidos com melhora operacional. A subscrição recente criou uma referência de preço, enquanto a tese ganhou força com rentabilidade sobre patrimônio de 16,2% e uma leitura por partes que considera também seguros e saúde. A redução da rede física aparece como reestruturação, não como simples retração. A exposição à Brava também entrou no radar, mas associada ao retorno de ações antes alugadas, e não necessariamente a uma nova aposta estratégica.

Santander Brasil vive outra questão. A oferta em curso pode reduzir drasticamente a liquidez local. O acionista pode permanecer com o papel brasileiro ou migrar para BDRs do Santander global, mas, se grande parte do free float aderir, quem ficar poderá carregar um ativo muito menos negociado.

BTG Pactual e Itaú representam dois perfis distintos. O BTG, com Banco Pan em seu ecossistema, combina crescimento, gestão de patrimônio e beta mais elevado. O Itaú atua como âncora defensiva, sustentado por lucro crescente, inadimplência controlada e capacidade de adaptação. Banco do Brasil completa o grupo com perfil próprio de estatal e histórico de dividendos. JBS também apareceu como referência à capacidade de relacionamento institucional de grandes grupos empresariais.

Elétricas e B3 entram cedo no ciclo

Entre as elétricas, Axia aparece como uma das candidatas a captar grandes fluxos institucionais por porte e relevância. A companhia atravessa ajustes posteriores à privatização e mudanças societárias, mas mantém crescimento de lucro e Ebitda.

Cemig, CPFL e Copel também entram nesse universo, em um setor cuja demanda permanece mesmo quando a economia desacelera. A transcrição menciona ainda outro grande nome do setor, mas o registro automático não permite identificá-lo com segurança.

A B3 funciona como infraestrutura do próprio bull market. Mais negócios em ações e derivativos, retomada de IPOs e maior participação do investidor aumentam diretamente sua atividade. É uma tese menos dependente de acertar qual ação será a grande vencedora.

Construção pode concentrar assimetrias

Cury, Direcional, Cyrela, Moura Dubeux e Tenda atravessaram um ambiente de juros próximos a 15% com resultados ainda relevantes. Isso torna o setor especialmente sensível a uma mudança de ciclo: juros menores melhoram financiamento imobiliário, demanda, custo de capital e reduzem a vantagem relativa da renda fixa.

Essas empresas, porém, dependem de uma migração mais consistente de dinheiro para ações. Fundos multimercado, fundos de ações e, depois, fundos de pensão precisam voltar a aumentar exposição.

Gafisa aparece em uma camada mais especulativa, ao lado de Ambipar e Azevedo & Travassos, nomes que tenderiam a ganhar maior protagonismo apenas nas fases finais de euforia.

Magalu mostra a diferença entre alta e qualidade

Magazine Luiza chegou a subir mais de 20% em um pregão de forte fluxo, mas preço e fundamento contam histórias diferentes. Depois de crescer rapidamente entre 2019 e 2021, a receita praticamente estagnou e as margens ficaram apertadas.

As parcerias com Mercado Livre, Amazon e AliExpress podem reduzir custos e a necessidade de investimento próprio em e-commerce, mas também evidenciam como ficou difícil competir de forma isolada.

Mercado Livre está no outro lado dessa comparação, com marketplace, logística, tecnologia e Mercado Pago formando um ecossistema mais amplo. Casas Bahia/Via enfrenta desafios semelhantes aos da Magalu. KaBuM e GFL ajudam a contar a fase de expansão e aquisições da varejista, enquanto Renner e Petz representam outros momentos e modelos dentro do varejo.

Um atacadista regional do Nordeste, cujo nome aparece de forma corrompida na transcrição automática, também foi usado para discutir a importância de entender de perto o negócio em que se investe. WEG, por sua vez, aparece como lembrança de como até boas companhias podem se transformar em “ações da moda”.

IA ainda não mostra saturação

Fora do Brasil, a cadeia de inteligência artificial continua crescendo rapidamente. O volume de tokens processados por grandes modelos multiplicou-se várias vezes em poucos meses, sinalizando aumento do uso de IA e, principalmente, de agentes que consomem ainda mais capacidade computacional.

Nvidia é o principal retrato desse movimento. A receita anual mais que dobrou no trimestre analisado, a margem bruta ficou próxima de 75% e o lucro cresceu ainda mais rápido que o faturamento.

Quase metade da receita veio dos hyperscalers, onde Microsoft, Amazon, Meta e Oracle continuam ampliando data centers. O guidance para o trimestre seguinte indicava novo salto de receita, com o gargalo mais associado à capacidade de entrega do que à falta de demanda.

A cadeia inclui OpenAI, Anthropic e Hugging Face no ecossistema de modelos e ferramentas; Microsoft, Amazon, Google e Oracle na nuvem; e GE Vernova na infraestrutura elétrica. Google, Microsoft e Amazon também desenvolvem chips próprios para reduzir a dependência da Nvidia.

Micron leva a tese para as memórias

Micron aparece como uma das maiores assimetrias do setor de memória. Mesmo depois da valorização, o múltiplo projetado permanecia baixo para 2027, enquanto a expectativa era de oferta insuficiente para atender plenamente à demanda nos próximos anos.

Lam Research e Applied Materials entram na camada de equipamentos para fabricação de semicondutores. IREN e Nebius aparecem ligadas à infraestrutura computacional e às neoclouds.

A tese, portanto, não termina na GPU. Ela atravessa memória, fabricação de chips, construção de data centers e até geração de energia.

Tesla continua difícil de valorar como montadora

Tesla foge da comparação tradicional com Toyota ou Mercedes porque o mercado já incorpora robótica, direção autônoma, Cybercab, memória e outras avenidas futuras. SpaceX amplia ainda mais essa complexidade pela relação com chips, computação e projetos de Elon Musk.

BYD aparece como referência de uma tese de crescimento identificada cedo por investidores de longo prazo. Apple e Berkshire Hathaway entram como lembrança de que nem mesmo grandes investidores acertam perfeitamente o timing de todos os ciclos.

Google/Alphabet ganhou destaque pela combinação de caixa, publicidade, nuvem e IA. Microsoft e Amazon permanecem entre os grandes beneficiários da expansão de data centers, enquanto Meta completa o grupo de plataformas com investimentos elevados em inteligência artificial.

Um mercado maior que a fronteira brasileira

A discussão também quebra a ideia de que o investidor precisa escolher entre Brasil e Estados Unidos.

Na B3, os BDRs permitem acesso a diversas empresas estrangeiras. Em alguns casos, Microsoft, Google ou Amazon podem até ser negócios mais familiares ao investidor do que uma companhia regional brasileira cujo produto ele nunca utilizou.

Esse raciocínio permite ampliar gradualmente o círculo de competência. Quem entende varejo pode chegar a Mercado Livre, Mercado Pago e logística. Quem estuda IA encontra semicondutores, memória, data centers e eletricidade. Quem acompanha construção inevitavelmente encontra bancos, crédito e juros.

Petrobras também aparece nesse mapa como exemplo de uma companhia brasileira capaz de receber capital rotacionado de outros mercados e setores.

Cada empresa pertence a uma onda

O conjunto analisado passa por bancos e serviços financeiros — Bradesco, Santander, BTG, Banco Pan, Itaú e Banco do Brasil —; energia, com Axia, Cemig, CPFL e Copel; B3; construção, com Cury, Direcional, Cyrela, Moura Dubeux, Tenda e Gafisa; e varejo, com Magalu, Renner, Mercado Livre, Casas Bahia, Amazon, AliExpress, KaBuM, GFL e Petz.

Também aparecem Ambipar e Azevedo & Travassos na faixa mais especulativa; WEG na indústria; Petrobras e Brava; Nvidia, Microsoft, Google, Meta, Oracle, OpenAI, Anthropic e Hugging Face na inteligência artificial; Micron, Lam Research, Applied Materials, IREN, Nebius e GE Vernova na infraestrutura tecnológica; e Tesla, SpaceX, Toyota, Mercedes e BYD em mobilidade e inovação.

A lógica que conecta todos esses nomes é simples: um bull market não premia todos ao mesmo tempo nem pela mesma razão.

Grandes empresas costumam receber o primeiro fluxo. Setores sensíveis a juros precisam de confirmação macroeconômica. Small caps dependem de dinheiro institucional. Negócios frágeis aparecem quando a euforia já avançou.

O ponto decisivo é separar boa empresa, boa tese e bom preço. Quando o mercado entra em fase de alta, até negócios ruins podem funcionar por algum tempo. É justamente nesse momento que a qualidade da seleção passa a importar ainda mais.

Time Investfy

Escrito por Investfy

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