em

Bradesco – o capitão manteve o navio na rota certa certa

Olá, Clube Investfy!

Voltamos à tese de Bradesco após a divulgação dos resultados do 4T25, agora com o fechamento do exercício de 2025

1. Como o Bradesco ganha dinheiro:

Bradesco segue como banco universal, com presença relevante em varejo, crédito, atacado e, sobretudo, seguros. A diversificação continua sendo um pilar estrutural da resiliência do resultado.Em 2025, as receitas totais cresceram 13,2%, com destaque para:

  • Margem financeira, beneficiada pelo crescimento equilibrado da carteira e pela eficiência na margem de passivos;
  • Receitas de prestação de serviços, com avanço consistente em cartões, mercado de capitais, consórcios e gestão de recursos;
  • Seguros, que seguem como o principal motor de retorno do grupo.

No 4T25, as receitas totais atingiram R$ 36,1 bilhões, crescendo 2,9% t/t e 9,8% a/a, confirmando a tração comercial ao longo do ano.

2. Gestão: foco, coerência e execução:

A gestão liderada por Marcelo Noronha manteve, ao longo de 2025, um discurso extremamente consistente com a execução. O binômio “Change the Bank” + “Run the Bank” deixou de ser apenas um plano de transformação para se tornar parte do resultado recorrente.Os principais pontos que reforçam essa leitura:

  • Comunicação clara e conservadora com o mercado;
  • Foco explícito em retorno ajustado ao risco, e não em crescimento pelo crescimento;
  • Integração crescente entre tecnologia, dados, cultura e negócio;
  • Redução de Layers organizacionais e aumento de span of control.

O engajamento interno segue alto: 84% dos colaboradores participaram da pesquisa de cultura, com evolução positiva em todas as dimensões avaliadas.

3. Resultados: rentabilidade acima do custo de capital:

Aqui está o ponto de inflexão mais relevante da tese.No 4T25, o Bradesco reportou:

  • Lucro líquido recorrente: R$ 6,5 bilhões (+5,0% t/t e +20,6% a/a);
  • Lucro recorrente em 2025: R$ 24,7 bilhões, crescimento de 26,1% vs. 2024;
  • ROAE: 15,2% no 4T25, superando de forma clara o custo de capital.

Esse avanço não veio de eventos pontuais, mas de uma trajetória consistente de melhora ao longo de oito trimestres consecutivos. Outros destaques operacionais:

  • Margem com clientes líquida de PDD: crescimento de 18,4% a/a;
  • Eficiência operacional (IEO): 50,0% em 2025, melhora de 2,2 p.p. no ano;
  • Despesas operacionais: crescimento controlado em 8,5%, abaixo do crescimento das receitas.

A alavanca operacional voltou a trabalhar a favor.

4. Qualidade da carteira: controle, garantias e inteligência:

A qualidade do crédito permanece como um dos pilares mais sólidos da tese.No fechamento de dezembro de 2025:

  • Inadimplência acima de 90 dias: 4,1%, estável pelo terceiro trimestre consecutivo;
  • 93% da carteira concentrada nos estágios 1 e 2;
  • Redução de R$ 10,5 bilhões no ativo problemático da carteira reestruturada em 12 meses;
  • Aproximadamente 30% do estágio 3 está em dia.

A estratégia de priorizar produtos colateralizados segue clara:

  • Operações com garantias já representam cerca de 59% da carteira, um aumento relevante em relação aos anos anteriores;
  • Forte crescimento em consignado, crédito rural e capital de giro com garantia.

O custo do crédito caiu para 3,2% no 4T25, refletindo a qualidade das novas safras e a maior eficiência nos processos de cobrança.

5. Segmentos estratégicos: onde está o crescimento:

Varejo e crédito:

  • Pessoas físicas: crescimento equilibrado, com destaque para cartões, veículos e alta renda;
  • MPMEs: crescimento de 21,3% a/a, com ganho consistente de market share;
  • Crédito imobiliário: retomada gradual, com funding mais eficiente via LCI/LIG;
  • Consignado: avanço com inadimplência estruturalmente inferior à média do mercado.

Alta renda: Prime e Principal

O Bradesco Principal encerrou 2025 com mais de 320 mil clientes, 62 escritórios e NPS elevado, reforçando a proposta de valor consultiva e integrada. O segmento cresce em produtos de investimento, crédito e serviços, aumentando o share of wallet.

Seguros: o grande motor de valor

O Grupo Segurador voltou a entregar números de excelência:

  • Lucro líquido em 2025: R$ 10,1 bilhões (+11,2% a/a);
  • ROAE: 24,3% no 4T25 e 21,9% em 2025;
  • Resultado das operações de seguros: crescimento de 16,1% no ano.

A melhora da sinistralidade, especialmente em Saúde, e o bom desempenho financeiro reforçam a leitura de negócio estruturalmente gerador de valor.

6. Eficiência, footprint e tecnologia:

O ajuste do footprint físico segue avançando:

  • Redução líquida de 1.398 pontos de atendimento em 12 meses;
  • Queda expressiva no fluxo às agências, compensada por autosserviço e canais digitais.

No digital:

  • 99% das transações já ocorrem em canais digitais;
  • 19+ milhões de clientes fully digital;
  • Uso intensivo de GenAI e machine learning elevando produtividade, segurança e resolutividade.

A plataforma BIA já opera com IA generativa em 100% dos canais, com cerca de 90% de resolutividade no chat.

7. Capital e dividendos:

A posição de capital segue confortável:

  • Capital Nível I: 13,2%;
  • Capital Principal: 11,2%, acima dos limites regulatórios.

Em 2025, o banco distribuiu R$ 14,5 bilhões em dividendos e JCP, com payout bruto de aproximadamente 62%.

Guidance 2026:

Para 2026, o banco projeta:

  • Carteira de crédito: crescimento entre 8,5% e 10,5%;
  • Margem financeira líquida: R$ 42 a R$ 48 bilhões;
  • Despesas operacionais: crescimento entre 6% e 8%;
  • Resultado de seguros: crescimento entre 6% e 8%.

A mensagem é clara: rentabilidade crescendo de forma gradual, segura e sustentada por receitas.

8. Conclusão: a tese se fortalece

O 4T25 marca a consolidação de uma virada que já vinha sendo construída trimestre após trimestre.O Bradesco voltou a:

  • Entregar ROE acima do custo de capital;
  • Crescer receitas com qualidade;
  • Controlar inadimplência em um cenário macro ainda desafiador;
  • Mostrar que a transformação cultural e tecnológica já aparece no resultado.

A gestão segue conservadora nas promessas, mas consistente na execução. Para o investidor de longo prazo, que valoriza qualidade de gestão, previsibilidade e geração de valor sustentável, o fechamento de 2025 reforça a tese.

O capitão não apenas colocou o navio na direção certa. Manteve o rumo, mesmo em mar aberto.

Forte abraço,

Rodrigo Silveira

Contribuidor

Escrito por Rodrigo Silveira

Executivo com mais de 20 anos de experiência profissional nos segmentos de Tecnologia, Automotivo, e Alimentício em empresas como BMW, Amazon, Nestlé e Microsoft. Engenheiro Mecânico com MBA em gestão de Negócios e Value Investing. Invisto em ações desde 2016 com viés fundamentalista e buscando assimetrias de longo prazo.

Primeiro LoginPrimeira contribuiçãoPrimeiro ComentárioLeitorAutorComentarista

O QUE VOCÊ ACHOU?

Deixe um comentário

Um comentário