A semana de 27 de abril a 1º de maio concentra um dos calendários mais relevantes do ano para os mercados. Em um momento em que o Brasil já apresenta sinais claros de desaceleração, a combinação de decisões de juros globais com dados domésticos relevantes cria um ambiente propício para reprecificação de ativos. Apesar do feriado de Dia do Trabalho encurtar o período em diversas economias, a densidade da agenda mantém o nível de atenção elevado.
Brasil: desaceleração ganha forma
O pano de fundo doméstico é de perda gradual de tração, ainda que com resiliência em alguns vetores-chave. A agenda da semana será importante para validar essa leitura.
Indicadores em foco:
- Boletim Focus (expectativas atualizadas)
- Decisão da Selic – COPOM
- IPCA-15 de abril (termômetro inflacionário de curto prazo)
- IGP-M e IPP (pressões de preços na cadeia)
- Dados fiscais do setor público
- Taxa de desemprego e Caged

Nesse momento o mercado precifica um corte de 0,25 para a reunião que acontece nesta quarta-feira.
Leitura macro atual:
- Crescimento projetado: ~1,8% em 2026 (desaceleração)
- Inflação: ~4,5%, com revisões recentes para cima
- Juros: ainda elevados, restringindo crédito e atividade
Sinais mais relevantes do ciclo:
- Consumo começando a enfraquecer
- Varejo desacelerando de forma consistente
- Pressão inflacionária ainda presente, especialmente em alimentos
- Renda real ainda positiva, mas perdendo capacidade de sustentar o crescimento
O Brasil entra, portanto, em uma fase mais madura do ciclo econômico, onde o equilíbrio entre inflação persistente e atividade enfraquecendo limita o espaço de atuação da política monetária.
E a temporada de balanços começa para valer! Confira abaixo:

Estados Unidos: o principal driver global
Os EUA seguem como o principal vetor para precificação global — e esta semana é particularmente sensível.
Eventos-chave:
- Decisão de juros do Federal Reserve
- PIB do 1º trimestre (prévia)
- PCE de março (principal métrica de inflação do Fed)
- Pedidos semanais de seguro-desemprego
- Confiança do consumidor (Conference Board)
Expectativa de mercado:
- Manutenção dos juros, ou seja não há corte previsto neste momento.
- Atividade ainda resiliente
- Inflação sem convergência clara para a meta
O ponto central permanece: juros altos por mais tempo. Esse cenário mantém condições financeiras apertadas globalmente e limita o espaço para cortes em economias emergentes, incluindo o Brasil.
Balanços

Resto do mundo: liquidez e direção global
Além dos EUA, a semana traz decisões importantes que ajudam a compor o cenário global.
Destaques:
- Banco do Japão (BoJ): decisão de juros e projeções
- Banco Central Europeu (BCE)
- Banco da Inglaterra (BoE)
- China: PMIs industriais e de serviços
Principais vetores globais:
- Crescimento global mais fraco (~2,7%)
- Inflação ainda elevada (~3,3%)
- Commodities sustentando emergentes
- Riscos geopolíticos (especialmente Oriente Médio)
Esse conjunto reforça um ambiente global ainda desafiador, com impactos diretos sobre câmbio, fluxo de capital e inflação.







Excelente Murilo!! Cenário bastante desafiador no curto prazo. Estarei atento às discussões de Cenário nos grupos e encontros semanais.
Ótimo 👏👏
Obgda