Olá pessoal! Tudo bem?
No último artigo sobre a WEG, destaquei como a companhia vinha se consolidando como talvez a única empresa brasileira a ser fornecedora global da infraestrutura necessária para suportar a eletrificação da economia, a expansão dos data centers e o crescimento da inteligência artificial.
Após analisar os resultados do 2T26, a conferência com investidores e a evolução dos mercados onde a empresa atua, minha percepção permanece positiva.
Apesar de um trimestre que, à primeira vista, parece modesto em termos de crescimento consolidado, os números revelam uma realidade diferente: a WEG continua crescendo de forma vigorosa justamente nos negócios e regiões que deverão impulsionar a companhia pelos próximos anos.

O principal desafio atualmente não é demanda.
O desafio é atravessar um período de transição, marcado pela ausência dos grandes projetos solares que impulsionaram 2025 e pela preparação de capacidade produtiva para capturar um novo ciclo de crescimento que parece cada vez mais próximo.
1. Como a empresa ganha dinheiro?
A estrutura de receita continua bastante equilibrada entre suas quatro grandes áreas de negócio:
1.1 Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI)
Receita de aproximadamente R$ 5,2 bilhões, representando cerca de 51% da receita consolidada. Foi mais uma vez o principal destaque do trimestre.
No Brasil, o crescimento foi impulsionado pela melhora da atividade industrial, com destaque para motores de baixa tensão, redutores, motores de alta tensão e painéis de automação voltados a segmentos como papel e celulose.
No exterior, a demanda seguiu forte na Europa e nos Estados Unidos, principalmente nos segmentos de óleo & gás e sistemas de ventilação e refrigeração para data centers.
1.2 Geração, Transmissão e Distribuição (GTD)
Receita aproximada de R$ 3,7 bilhões, equivalente a cerca de 37% da receita consolidada.
O negócio continua sendo impactado pela ausência de projetos solares centralizados no Brasil, que haviam contribuído significativamente para os resultados de 2025.
Por outro lado, a área de transmissão e distribuição segue extremamente aquecida, tanto no Brasil quanto na América do Norte, sustentada por entregas de transformadores, subestações, compensadores síncronos e reforços de infraestrutura elétrica.
1.3 Motores Comerciais e Appliance (MCA)
Receita próxima de R$ 778 milhões. O mercado doméstico apresentou crescimento, enquanto o exterior foi afetado principalmente pela valorização do real.
1.4 Tintas e Vernizes (T&V)
Receita próxima de R$ 424 milhões, mantendo crescimento tanto no Brasil quanto no exterior, com destaque para México e óleo & gás.
2. Alguns números e comparação com pares globais
Os principais indicadores financeiros seguem em níveis que poucas empresas industriais conseguem sustentar.
- Receita Líquida: R$ 10,14 bilhões (-0,6% YoY).
- EBITDA: R$ 2,21 bilhões (-2,1% YoY).
- Margem EBITDA: 21,8%.
- Lucro Líquido: R$ 1,56 bilhão (-2,1% YoY).
- Margem Líquida: 15,4%.
- ROIC: 33,6%, superior ao registrado um ano antes.
Mesmo sem crescimento consolidado de receita, a companhia manteve rentabilidade extremamente elevada.

Quando comparamos WEG com seus pares globais, vemos que a empresa mantem a sua capacidade de de preservar retornos, mesmo em ambientes adversos.

3. O que realmente aconteceu no trimestre?
Na minha leitura, três fatores explicam praticamente todo o resultado.
3.1 Valorização do real
A receita internacional cresceu 14,7% em dólar, mas parte desse crescimento desapareceu quando convertida para reais porque o dólar médio caiu de R$ 5,67 para R$ 5,05 na comparação anual.
Ou seja, operacionalmente a WEG cresceu muito mais do que o número consolidado sugere.
3.2 Fim do ciclo de grandes entregas solares
A ausência de novos projetos de geração solar centralizada explica boa parte da retração do mercado doméstico.
Trata-se de um fator de comparação, e não necessariamente de deterioração estrutural da demanda.
3.3 Crescimento acelerado dos negócios ligados à infraestrutura elétrica
Transformadores, subestações, compensadores síncronos, motores industriais, alternadores para backup de energia e soluções para data centers continuam apresentando demanda elevada.
Esses segmentos representam justamente os mercados que sustentam a tese de crescimento da companhia para a segunda metade desta década.
4. A grande aposta: transformadores, data centers e expansão de capacidade
No artigo do 3T25, destaquei o mercado de transformadores norte-americano como uma das principais oportunidades da década.
A tese ficou ainda mais forte.
A administração informou que a expansão anunciada para T&D representa praticamente uma duplicação da capacidade originalmente existente. Parte dessa capacidade já começou a entrar em operação em Betim, enquanto as novas fábricas do México e da Colômbia deverão iniciar operação em 2027.
O mais importante é que a carteira de pedidos continua saudável e não sinaliza retração relevante da demanda.
Além disso, os data centers continuam impulsionando diversos negócios da companhia:
- Geradores da Marathon para energia de backup;
- Transformadores para conexão com a rede elétrica;
- Sistemas de ventilação e refrigeração;
- Motores elétricos para bombas e sistemas de cooling.
Não por acaso, a companhia está investindo pesado para capturar esse crescimento futuro.

Apenas no trimestre foram investidos quase R$ 795 milhões, mais da metade fora do Brasil.
5. Novos motores de crescimento
Outro aspecto muito interessante desta teleconferência foi a relevância crescente de negócios que há poucos anos tinham participação marginal.
Entre eles:
- Mobilidade elétrica;
- Powertrains para veículos elétricos;
- Estações de recarga;
- BESS (armazenamento de energia);
- Compensadores síncronos;
- Soluções integradas para infraestrutura energética.
A impressão que fica é que a WEG está repetindo a estratégia que utilizou em transformadores: identificar tendências estruturais anos antes da maioria dos concorrentes e investir antecipadamente.
6. Principais riscos
Nem tudo são flores.
Os principais riscos observados atualmente são:
6.1 Tarifas nos Estados Unidos
As mudanças frequentes na política tarifária americana podem pressionar margens no curto prazo, especialmente em produtos exportados para o mercado norte-americano. A própria administração reconheceu esse risco.
6.2 Ramp-up das novas fábricas
A entrada de novas plantas exige contratação antecipada de mão de obra, treinamento e aumento de despesas fixas antes da geração plena de receita.
6.3 Câmbio
Se o real permanecer valorizado, a conversão dos resultados internacionais continuará limitando o crescimento reportado em reais.
Conclusão
O 2T26 não foi um trimestre de crescimento exuberante.
Mas foi um trimestre extremamente importante para confirmar a direção estratégica da WEG.
A demanda internacional continua forte. Os negócios ligados à infraestrutura elétrica seguem aquecidos. A carteira de pedidos permanece saudável. Os investimentos continuam avançando. E novos mercados, como armazenamento de energia, mobilidade elétrica e data centers, ganham relevância crescente.
Ao mesmo tempo, a empresa preserva margens acima de 20%, ROIC de 33,6% e uma posição financeira extremamente sólida, algo raro mesmo entre empresas industriais globais.
Minha principal conclusão é que 2026 parece cada vez mais um ano de transição.
A companhia está atravessando a queda natural do ciclo solar, absorvendo custos de expansão e convivendo com incertezas tarifárias. Porém, ao mesmo tempo, está construindo a infraestrutura necessária para capturar oportunidades muito maiores em 2027 e 2028.
Se a tese no 3T25 era que a WEG era uma das maiores beneficiárias da transformação energética global, os resultados e comentários do 2T26 sugerem que essa tese continua viva e, possivelmente, ainda mais forte.
Abraço,
Rodrigo Silveira







Como sempre, é melhor olhar tuas análises do que o release da empresa! Muito bom, amigo! P/L nos menores níveis dos últimos anos, bem interessante.