em

NVIDIA (NVDA): A Rainha da Revolução da Inteligência Artificial.

Olá Clube Investfy! 

Hoje vamos revisar o resultado do 2Q2027 da Nvidia, divulgado na semana passada.

A NVIDIA (NASDAQ: NVDA) segue sendo o principal símbolo da revolução da inteligência artificial. Após mais um trimestre de resultados excepcionalmente fortes, a companhia reforçou sua posição como fornecedora dominante da infraestrutura que sustenta o treinamento e a inferência dos modelos de IA mais avançados do mundo.

No entanto, para o investidor fundamentalista, a pergunta mais importante não é se a NVIDIA continua sendo uma empresa extraordinária. A questão é se a ação ainda oferece retorno suficiente para justificar os riscos embutidos em um valuation que já pressupõe muitos anos de crescimento acelerado.

O Q2 FY2027 confirmou aceleração excepcional: receita de US$ 96,2 bilhões, +106% a/a; Data Center de US$ 89,0 bilhões, +117%; margem bruta GAAP de 75%; e EBIT GAAP de US$ 63,7 bilhões. O guidance do Q3 é de US$ 108 bilhões, com margem bruta de 74%, sem pressupor receita de Data Center compute na China

1. Modelo de negócios e criação de valor

A NVIDIA evoluiu de fornecedora de chips para uma plataforma de computação acelerada full-stack:

  • Data Center: GPUs Hopper, Blackwell e Vera Rubin; Grace/Vera CPU; NVLink; InfiniBand; Spectrum-X Ethernet; BlueField; DGX/HGX; CUDA e bibliotecas. O valor está no desempenho do sistema, tempo de treinamento, throughput de inferência e custo por token.
  • Gaming: GeForce RTX, ray tracing, DLSS e GeForce NOW.
  • Professional Visualization: RTX, renderização, Omniverse, simulação e digital twins.
  • Automotive/Edge: DRIVE, Jetson, robótica, cockpit e autonomia.
  • OEM & Other: componentes, SoCs, licenciamento e aplicações embarcadas.

Nos materiais atuais, a companhia passou a enfatizar Data Center e Edge Computing; no Q2 FY2027, Data Center representou US$ 89,0 bilhões e Edge US$ 7,2 bilhões. Dentro de Data Center, Hyperscale foi US$ 48,7 bilhões e AI Clouds, Industrial & Enterprise — ACIE — US$ 40,3 bilhões.

A vantagem não é apenas o GPU. A plataforma integra GPU, CPU, NVLink, networking, sistemas e software. Segundo a administração, a oportunidade de receita por gigawatt aumentou de aproximadamente US$ 18 bilhões no Hopper para US$ 25 bilhões no Grace Blackwell e US$ 40 bilhões no Vera Rubin,

Moat

O principal diferencial continua sendo o CUDA. Empresas, pesquisadores e desenvolvedores construíram aplicações, modelos e fluxos de trabalho inteiros sobre essa arquitetura ao longo de mais de uma década. A migração para plataformas concorrentes exige custos elevados de adaptação, validação e reengenharia.

  1. CUDA e switching costs: aplicações, bibliotecas, modelos e equipes são desenvolvidos sobre CUDA; migrar exige reengenharia, validação e otimização.
  2. Co-design hardware + software: a NVIDIA otimiza chip, interconexão, rack, compiladores e bibliotecas simultaneamente.
  3. Efeito de rede: mais desenvolvedores atraem mais modelos e workloads, que atraem mais capacidade instalada.
  4. Fungibilidade: a mesma infraestrutura pode servir preparação de dados, training, post-training e inference.
  5. Networking: NVLink, InfiniBand e Spectrum ampliam a captura de valor por AI factory.
  6. Cadência tecnológica: transição Hopper → Blackwell → Vera Rubin aumenta desempenho e receita por unidade de energia.

A própria NVIDIA identifica AMD, Intel, provedores de chips customizados e equipes internas de cloud providers como concorrentes, além de reconhecer dependência de foundries, memória, substratos, packaging e montagem de terceiros.

2. Drivers operacionais e sinais mais recentes

NVIDIA vem ampliando o valor capturado por unidade de infraestrutura. Segundo a administração, a oportunidade de receita por gigawatt de capacidade computacional evoluiu de aproximadamente US$ 18 bilhões na geração Hopper para US$ 25 bilhões no Grace Blackwell e potencialmente US$ 40 bilhões com Vera Rubin.

  • Hyperscalers: receita trimestral de US$ 48,7 bilhões; a administração estima CAPEX dos cinco maiores hyperscalers próximo de US$ 800 bilhões em 2026 e US$ 1,3 trilhão em 2027
  • ACIE / neocloud / sovereign AI: US$ 40,3 bilhões, +25% sequencial e +138% a/a; reduz dependência exclusiva dos grandes clouds.
  • Inference e agentes: workloads agentic exigem várias etapas de raciocínio e uso de ferramentas, elevando compute por tarefa.
  • Networking e CPU: Spectrum-X cresceu 2,6x a/a; Grace CPU excedeu US$ 5 bilhões de receita TTM, segundo a administração.
  • Oferta: a administração indicou demanda superior à capacidade e visibilidade de crescimento FY2028 limitada por supply, não por demanda.
  • Pressão de margem: custos de memória/HBM devem levar a margem bruta para 71%–72% no Q4; essa é uma premissa central do Bear Case.

O sinal financeiro mais importante é a deterioração temporária da conversão de caixa: DSO subiu de 45 para 60 dias, contas a receber chegaram a US$ 63,1 bilhões e estoques a US$ 31,6 bilhões. O FCF do Q2 foi US$ 21,3 bilhões, apesar do EBIT extraordinário, por working capital e impostos.

3. E qual o valuation de Nvidia?

O Valuation da empresa pode variar bastante, mas vamos fazer um exercício de projeção:

Premissas:

  • FY2027 incorpora Q1 + Q2 reportados, guidance de US$ 108 bilhões no Q3 e Q4 de aproximadamente US$ 120 bilhões.
  • FY2028 usa 70%, em linha com indicação preliminar da administração, mas não incorpora a demanda “não atendida”.
  • Margem EBIT cai de 64,5% para 60% pela pressão de HBM/memória, maior amplitude de sistemas, crescimento de OpEx e competição.
  • CAPEX cresce mais rapidamente que a depreciação por cloud infrastructure, laboratórios e desenvolvimento.
  • Working capital permanece material após DSO de 60 dias e expansão de inventário.
  • Taxa operacional normalizada: 17%, dentro do guidance FY2027 de 16%–18%

Cenários:

  • Bull: oferta melhora, Vera Rubin executa sem atrasos, hyperscaler CAPEX permanece elevado, CUDA preserva participação e memória é repassada a preço. Valor justo por ação: US$ 351 com 60% de Upside.
  • Base: forte crescimento FY2028, seguido por normalização; margem operacional converge a 60%. Valor justo por ação: US$ 243 com 8% de upside.
  • Bear: desaceleração de CAPEX, maior penetração de ASICs/TPUs/Trainium/Maia, HBM e CoWoS pressionam custos, export controls e funding de AI labs ampliam risco. Valor justo por ação: US$ 114 com 50% de Downside.

04. Visão Gráfica

No gráfico semanal, observamos que o preço da ação está tentando romper sua máxima histórica (ATH), movimento que pode atuar como um importante catalisador de compra. Além disso, o volume negociado continua em expansão, enquanto o OBV já ultrapassou sua própria máxima histórica, configurando uma divergência positiva. Esse conjunto de fatores reforça o viés construtivo e sugere um momento favorável para o papel.

05. Principais riscos

  1. ASICs e verticalização: Google TPU, AWS Trainium, Microsoft Maia e chips customizados podem capturar workloads previsíveis de hyperscalers.
  2. AMD: competição em aceleradores, software e preço.
  3. TSMC/CoWoS/HBM: concentração geográfica, capacidade de packaging e memória; compromissos de supply da NVIDIA subiram de US$ 119 bilhões para US$ 279 bilhões, principalmente memória.
  4. China/export controls: a companhia não incluiu receita de Data Center compute da China no guidance; menos de 1% do Data Center Q2 veio de Hopper para a China
  5. Crédito e circularidade: guarantees, take-or-pay, investimentos em AI labs e extended payment terms elevam risco de contraparte e consumo de capital.
  6. Margens: memória, complexidade de racks e mix podem impedir recuperação para margens históricas.
  7. Terminal value: 75,7% do EV depende de rentabilidade muito além do período explícito.
  8. SBC e recompras: embora o share count tenha caído 1,04% a/a, recompras consomem caixa que poderia ser tratado como excedente econômico

06. Conclusão

A tese permanece apoiada em CUDA, full-stack, networking, cadência tecnológica e expansão de training para inference/agentic AI. O principal teste não é FY2027, mas se a NVIDIA ainda poderá sustentar margem EBIT próxima de 60% em receita superior a US$ 1 trilhão. Abaixo de aproximadamente US$ 200, a margem de segurança aumenta significativamente, já acima de US$ 275, o valuation passa a exigir cenário próximo do Bull.

A empresa continua fundamentalmente excepcional, já a ação, porém, já exige execução excepcional. O retorno esperado base é positivo, mas inferior ao que eu normalmente exigiria como margem de segurança buy-side. A melhor interpretação é posição de qualidade para longo prazo, com compras graduais e forte disciplina de preço, em vez de uma oportunidade inequívoca de deep value.

Na minha visão, é difícil imaginar uma tese vencedora de IA sem que a Nvidia continue entregando bons resultados. Por isso, sigo posicionado nessa tese, monitorando de perto a evolução dos resultados e das expectativas do mercado.

Forte abraço,

Rodrigo Silveira

Contribuidor

Escrito por Rodrigo Silveira

Executivo com mais de 20 anos de experiência profissional nos segmentos de Tecnologia, Automotivo, e Alimentício em empresas como BMW, Amazon, Nestlé e Microsoft. Engenheiro Mecânico com MBA em gestão de Negócios e Value Investing. Invisto em ações desde 2016 com viés fundamentalista e buscando assimetrias de longo prazo.

Primeiro LoginPrimeira contribuiçãoPrimeiro ComentárioLeitorAutorComentarista

O QUE VOCÊ ACHOU?

Deixe um comentário