Olá Clube Investfy!
Hoje vamos atualizar a visão sobre Nubank. Caso queira ler os artigos anteriores, seguem abaixo os links:
NU – O jogo será global? – Investfy
NUBANK – Inovação, tecnologia e a força da juventude! – Investfy
O 1T26 reforça a tese central do Nubank: crescimento com monetização crescente e alta eficiência, sustentando ROE elevado. A companhia ultrapassa 135 milhões de clientes, entrega receita recorde (>US$5 bi) e lucro líquido de US$871 milhões, com ROE de 29%.

O diferencial do trimestre, porém, não está apenas nos números, mas sim na qualidade do crescimento: expansão do crédito com unit economics resilientes, melhora estrutural de eficiência e início de uma nova fase estratégica centrada em IA e internacionalização.
Ao mesmo tempo, surgem sinais importantes para o investidor: pressões pontuais em risco (provisões), normalização de eficiência e maior dependência de execução em México, IA e expansão global.
A tese permanece intacta, mas o “fácil” já ficou para trás. Agora, o valuation exige continuidade perfeita da execução.
1. Crescimento com qualidade: o ponto central do trimestre
O ponto mais relevante do 1T26, e que sustenta a tese é que o crescimento continua acontecendo sem deterioração estrutural de qualidade.
Crédito: expansão forte, mas com disciplina
- Carteira de crédito: US$37,2 bi (+40% YoY)
- Crescimento puxado por:
- Cartões: +36% YoY
- Empréstimos sem garantia: +53% YoY
Ao mesmo tempo que NPL 90+ caiu para 6,5% e indicadores de risco seguem dentro do esperado

A alta nas provisões (CLA +33% QoQ) não indica deterioração, mas sim:
- Sazonalidade do 1T
- Crescimento do portfólio
- Mix mais concentrado em produtos de maior yield
Esse ponto é chave e reforça o que já tinhamos argumentado, que Nubank não cresce “comprando crescimento” via risco.
2. Eficiência e rentabilidade: ainda um diferencial estrutural
A eficiência continua sendo um dos pilares da tese:
- Efficiency ratio: 17,6% (mínima histórica)
- Core efficiency ainda menor (~16,6%)

Mas aqui há um nuance importante:
- Parte da melhora foi temporária (timing de despesas)
- A companhia já sinaliza retorno para ~20% em 2026
Ou seja: A eficiência estrutural continua excelente, mas o ponto ótimo de curto prazo já passou.
Isso reforça uma mudança sutil na tese:
antes → expansão + ganho de eficiência
agora → expansão + manutenção de eficiência (com investimentos)
3. A grande novidade: IA deixa de ser narrativa e vira motor real
O principal upgrade qualitativo do case está aqui.
A empresa assume explicitamente que está em uma AI Transformation, não incremental, mas estrutural, com a IA sendo usado em (i) underwriting de crédito, (ii) automação operacional, (iii) experiência do cliente, (iv) 15 milhões de usuários em produtos com “AI Private Banker” e (v) decisão de crédito em tempo real com base em NPV esperado.

Os Impactos já visíveis, com (i) engineering throughput +50% YoY, (ii) ciclos de teste 90% mais rápidos e (iii) forte aumento de produtividade.
Nubank não é mais só um banco digital eficiente, está caminhando para um modelo de financial platform AI-native.
Na prática, isso pode destravar melhor precificação de risco, maior ARPAC ao longo do tempo e expansão mais segura de crédito.
4. Expansão internacional: opcionalidade continua assimétrica
A tese geográfica também evolui de forma consistente:
México
- 15M clientes
- já break-even
- early stage do mesmo playbook do Brasil

A própria gestão reforça que o México hoje está onde o Brasil estava há 10 anos, isso sustenta um dos pilares mais fortes do caso: replicação de modelo em diferentes geografias.
EUA (nova opcionalidade)
Na call de resultados, o Management destaca que a entrada nos EUA será via abordagem disciplinada e incremental, com impacto máximo limitado (<100bps na eficiência).
Desta forma a assimetria é clara pois temos downside limitado e upside potencialmente muito grande.
5. Valuation: crescimento ainda justifica prêmio, mas margem de erro diminui
O Nubank continua sendo precificado como um ativo híbrido entre banco (pela natureza do negócio) e plataforma de tecnologia (pela eficiência, crescimento e escalabilidade).
Isso se reflete em três características principais de valuation: (i) Múltiplos elevados vs bancos tradicionais, (ii) PEG ainda é uma métrica útil, mas embora o crescimento do lucro ainda esteja elevado, o crescimento começa a depender mais de execução futura (IA, global, México) e menos “crescimento orgânico fácil” do Brasil, e (iii) Re-rating estrutural já aconteceu e daqui para frente, o valuation depende menos de narrativa e mais de entrega contínua.

O Nubank continua sendo um dos poucos nomes no setor financeiro global que justifica negociar com prêmio e o 1T26 reforça isso com consistência operacional. O banco continua sendo uma das melhores histórias de crescimento do setor, mas já não é mais uma história “fácil” para justificar o preço.
6. Como o 1T26 muda (ou não) a tese
Comparando com as visões anteriormente publicadas constatamos que:
✅ O que ficou mais forte:
- confiança no modelo de monetização
- evidência de “moat” operacional
- avanço real da IA
- replicabilidade em novos mercados
⚠️ O que muda:
- 2026 é claramente um ano de investimento e transição
- curto prazo pode ter mais ruído (eficiência, risco, expansão)
- valuation exige execução contínua
Conclusão – ainda uma das melhores histórias do setor, mas mais exigente
O Nubank segue entregando um dos raros casos no setor financeiro global que combina (i) crescimento acelerado, (ii) eficiência estrutural, (iii) ROE elevado e (iv) escala digital com baixo custo.
O 1T26 reforça essa tese, mas também marca uma transição de “história de crescimento linear” para uma plataforma mais complexa, global e AI-driven, e na prática, isso significa maior potencial de longo prazo com maior exigência de execução.
Minha leitura segue semelhante à dos relatórios anteriores, de que Nubank continua sendo um case estrutural, mas não um case barato. E se continuar entregando crescimento + eficiência + monetização, o múltiplo pode seguir elevado por bastante tempo. Caso houver qualquer quebra nesse padrão, o ajuste tende a vir rápido.
Sigo posicionado na tese!
Forte abraço,
Rodrigo Silveira.







Valeu Silveira, excelente artigo!