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Relatório Macro por José Faria Jr. – 12/06/2026

Bom dia! Seguem as notícias e análises macro. Desejo a todos um ótimo dia e ótimos negócios.

1- Acordo entre EUA e Irã

Os EUA e o Irã devem assinar um acordo de cessar-fogo por 60 dias e que garanta a reabertura do Estreito de Ormuz à margem da reunião de cúpula do G7, que irá ocorrer entre os dias 15 a 17 de junho.

JD Vance e Steve Witkoff devem representar o governo americano. Porém, segundo a Bloomberg, Mojtaba Khamenei, Líder Supremo do Irã, ainda precisa aprovar este acordo. O Ministério das Relações Exteriores do Irã informou à mídia estatal que um texto-quadro estava quase finalizado. A agência semioficial Mehr noticiou que o rascunho continha 14 disposições, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz e 60 dias de negociações sobre questões nucleares.

2- Petróleo

Petróleo cai 3,0% nesta manhã: WTI é cotado a U$84 e Brent a U$87.

Segundo o Polymarket, há 84% de chances de Trump anunciar a suspensão do bloqueio até 31 de julho. Em outra pergunta, as chances de se normalizar o tráfego no Estreito de Ormuz são de 80% até o final do ano.

Pelos estudos do meu modelo, o petróleo Brent abriu uma tendência de queda no gráfico diário, seguindo em alta no gráfico semanal.

3- Brasília

1- Segundo a Fatto Política, “os desdobramentos mais recentes da delação de Daniel Vorcaro apresentam, pela primeira vez, um potencial vetor positivo para Flávio Bolsonaro desde a divulgação dos áudios da conversa entre os dois. A possível citação de um ministro do governo e de nomes do PT baiano reduziria a percepção de associação exclusiva do caso ao entorno de Flávio, que vinha concentrando os principais desgastes relacionados ao tema. Ainda é cedo para avaliar os efeitos concretos, já que isso dependeria do andamento da delação e das investigações, mas há a expectativa, no entorno de Flávio, de que isso ajude ao menos a estabilizar parte das perdas observadas junto ao eleitorado independente, segmento que demonstra maior sensibilidade ao assunto nas pesquisas.”

2- Hugo Motta, presidente da Câmara, designou ontem Leo Prates (Republicanos-BA) para ser o relator do projeto de Lei do Executivo que extingue a jornada de trabalho 6×1. Prates foi o relator da PEC que tratou o mesmo tema. Como o projeto foi enviado em regime de urgência, e o governo se nega a alterar isso, Motta está sendo obrigado a colocar o projeto em votação para não travar a pauta da Câmara, que já não pode votar mais nenhum projeto por conta disso. Motta afirmou que o texto deste projeto será o mesmo da PEC. O objetivo do governo é forçar o Senado a votar o quanto antes o fim da escala de trabalho 6×1.

3- As pautas bombas aprovadas no Congresso devem gerar impacto superior a R$1 trilhão em 10 anos, valor acima da economia projetada pela reforma da Previdência para o mesmo período.

https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/06/11/fazenda-refaz-calculos-e-agora-diz-que-impacto-de-pautas-bomba-do-congresso-supera-r-111-bilhoes-por-ano.ghtml

4- Lula gasta R$200 bilhões em pacotes de bondades que estão fora do arcabouço. Por isso insistimos desde o lançamento deste instrumento de “controle dos gastos públicos” de sua total ineficiência.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/12/bondades-de-lula-chegam-a-r-215-bi-no-ano-eleitoral-96percent-ficam-fora-do-arcabouco-fiscal.ghtml

4- IPCA

Inflação de maio veio acima do previsto e o dado acumulado em 12 meses superou o teto da banda da meta de inflação do Copom.

O gráfico mostra que a inflação deste ano está acima da média de longo prazo, que equivale a uma inflação anual de 5%, muito acima da meta de 3%. A sazonalidade de queda está mantida, mas isso não é suficiente para que a inflação convirja para a meta no horizonte relevante do Copom – vamos considerar 1º trimestre de 2028.

No ano, a inflação sobe 3,2%, contra alta de 5,7% dos alimentos:

Não há dúvidas de que o qualitativo está bem ruim. O Copom tem poucos argumentos para um corte de juros, o único seria a reabertura de Ormuz e a queda relevante observada nas últimas semanas das principais commodities agrícolas. Porém, importante ponderar que o governo está gastando R$200 bilhões este ano fora da meta, um impulso considerável na economia e na inflação.

As chances de um El Niño e a aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 são inflacionários.

Conclusão: seria correto uma pausa, dado o índice de difusão muito elevado. A inflação está disseminada e esse é o principal argumento para pausar os cortes.

Contribuidor

Escrito por José R Faria Júnior

Membro contribuidor.
Área e atuação: análise macro EUA e Brasil, dólar e juros.
X e Insta : @jrfariajr
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/joseraymundodefariajunior-msc/
Possui as certificações CFP®, CNPI-P, CGA e Consultor CVM.
Sócio e analista da Wagner Investimentos.
Professor de cursos de pós-graduação e orientador de TCC da USP, Escola de Negócios e Seguros e Galícia Educação.

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