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Relatório Macro por José Faria Jr. – 15/06/2026

Bom dia! Seguem as notícias e análises macro. Desejo a todos um ótimo dia e ótimos negócios.

1- Acordo entre EUA e Irã

Ontem, Donald Trump completou 80 anos e os EUA e o Irã assinaram um acordo provisório que interrompe os combates e reabre o Estreito de Ormuz. O memorando de entendimento será assinado formalmente no dia 19 de junho e ainda não foi divulgado, mas sabe-se que há um prazo de 60 dias para negociar ao menos quatro pontos cruciais ao Irã: o programa nuclear, o programa dos misseis balísticos, montante do auxílio econômico e o apoio de Teerã aos grupos Hezbollah e Hamas.

A desconfiança entre os dois países e também entre Irã e Israel é praticamente total e, assim, há dúvidas reais de que um acordo definitivo seja atingido. O aumento no tráfego em Ormuz ocorrerá, mas a sua manutenção no longo prazo é uma dúvida.

As plataformas Polymarket e Kalshi apontam entre 80% e 90% de chances de Ormuz reabrir totalmente até o final do ano, o que mostra que o mercado financeiro está otimista, ao menos neste momento.

2- Bolsas americanas

S&P subiu 0,50% e Nasdaq 0,31% na sexta-feira com expectativa de acordo entre EUA e Irã.

Futuros de NY sobem mais de 1%, com destaque para a alta das ações de tecnologia. Investidores também atentos para a reunião do FOMC nesta quarta-feira, a primeira de Kevin Warsh.

3- Agenda da Semana

Terça-feira: Decisão de juros (Japão, Austrália e Chile). Vendas no varejo e produção industrial (China).

Quarta-feira: FOMC – taxa de juros, Retail Sales (EUA). CPI (zona do euro).

Quinta-feira: BoE – taxa de juros (Inglaterra).

Sexta-feira: feriado Juneteenth (EUA).

4- Treasuries e juros globais

Juros das Treasuries caem e são negociados a 4,44%.

Nesta reunião do FOMC, há dois pontos relevantes a serem observados:

1- A postura do Comitê com relação a ser favorável ao afrouxamento monetário. Os riscos de inflação são maiores do que do mercado de trabalho e, por isso, esperamos uma mudança para viés de aperto nas taxas. Porém, com a solução de Ormuz, as chances de uma postura neutra aumentaram.

2- Discurso de Kevin Warsh, que tem a missão de cortar juros. Um excesso de otimismo de Warsh pode afetar os juros longos, provocando uma alta nas taxas.

Moedas Globais

5- Relatório Focus

Muitas alterações, com destaque para:

• IPCA mais alto para 2026, 2027 e 2028

• Dólar mais alto para 2026 e 2027

• Selic mais alta para 2026, 2027 e 2028

6- Agenda da Semana

Terça-feira: vendas no varejo.

Quarta-feira: IBC-Br e Copom.

7- Juros futuros

Juros futuros de curto prazo subiram e de longo prazo caíram na sexta-feira. DI-2027 fechou a 14,35% e DI-2031 a 14,33%. Juro real da NTN-B 2035 fechou a 7,76%. A curva de juros agora projeta chance de corte de juros este ano e praticamente retirou as chances de alta de juros para 2028.

As opções do Copom para a próxima reunião indicam que há 33% de chances de manutenção dos juros (minha aposta) e 68% de chances de corte de 0,25%. Uma grande reversão com a notícia de acordo entre EUA e o Irã sobre Ormuz.

Naturalmente que a reabertura de Ormuz eleva consideravelmente as chances do Copom de cortar os juros na quarta-feira. Além disso, o modelo apontou uma queda grande nas principais commodities agrícolas, fato que deve reduzir a inflação de alimentos no futuro. O fato é que a inflação está muito disseminada e os gastos públicos sem controle, fatos que dificultam muito a tarefa do Copom. Pode ter corte, mas o ciclo deve ser pequeno. Mantemos a ideia de Selic a 13,50% em cenário otimista.

Contribuidor

Escrito por José R Faria Júnior

Membro contribuidor.
Área e atuação: análise macro EUA e Brasil, dólar e juros.
X e Insta : @jrfariajr
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/joseraymundodefariajunior-msc/
Possui as certificações CFP®, CNPI-P, CGA e Consultor CVM.
Sócio e analista da Wagner Investimentos.
Professor de cursos de pós-graduação e orientador de TCC da USP, Escola de Negócios e Seguros e Galícia Educação.

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